O Caminho da Usaflex: Sustentabilidade como Estratégia e Propósito

Podcast - 30 de Abril de 2026

O Caminho da Usaflex: Sustentabilidade como Estratégia e Propósito

No episódio do podcast Gestão Inteligente, Pâmela Siqueira recebeu Daniela Colombo para uma conversa inspiradora sobre sustentabilidade nas empresas. Discutindo a nova resolução da CVM, que exigirá mais transparência financeira em sustentabilidade para empresas de capital aberto a partir de 2026, além das tendências globais e regulamentações que impactam os negócios.

Daniela Colombo, é diretora da Usaflex, uma profissional com uma trajetória inspiradora, que une o rigor do Direito Empresarial com uma visão estratégica de ESG e desenvolvimento humano. Daniela, que iniciou sua carreira em um escritório de advocacia atendendo a própria Usaflex, ingressou na empresa em 2010 como diretora jurídica, em um momento crucial de preparação para uma venda de controle a um fundo de investimento. Para enfrentar esse desafio, buscou especializações em gestão tributária e empresarial, e foi justamente em um projeto de sua especialização em gestão empresarial que a sustentabilidade entrou em sua vida e na Usaflex, em 2012.

O que inspirou essa transição para o universo da sustentabilidade? Para Daniela, foi a percepção de um círculo virtuoso. Ao se deparar com o tripé da sustentabilidade – ambiental, social e governança –, ela enxergou questões essenciais para as pessoas, o planeta e os negócios. A interconexão entre progresso e proteção ambiental, a valorização das relações com todos os stakeholders para gerar impacto positivo e a governança como pilar da perenidade empresarial foram elementos que a inspiraram profundamente. A sustentabilidade, para ela, é uma forma de transformar positivamente pessoas, o planeta e os negócios.

A Usaflex é um exemplo notável dessa jornada. Seus compromissos com a sustentabilidade são firmados em um planejamento robusto, alinhado com as diretrizes do Pacto Global e os Princípios de Empoderamento Feminino da ONU. A empresa identificou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) prioritários para o seu negócio, vinculando-os às métricas do Fórum Econômico Mundial de ESG. Essa estrutura resultou em uma política de sustentabilidade detalhada, com dez objetivos, 35 metas e mais de 120 ações, que permitem mensurar o impacto positivo e garantir transparência a todos os stakeholders. É possível acompanhar essa jornada na landing page de sustentabilidade da empresa.

A participação da equipe nessa construção é fundamental. Tudo começou com um comitê de sustentabilidade em 2012, formado por um grupo de pessoas engajadas. Hoje, além desse comitê multidisciplinar que representa todas as áreas da empresa, a Usaflex conta com auxílio externo de consultorias. O grande salto, no entanto, veio com a entrada do fundo Axon, no final de 2016, que elevou a sustentabilidade ao topo das discussões estratégicas da companhia. As decisões estratégicas da Usaflex, inclusive nas reuniões de conselho e com o fundo de investimento, pressupõem o envolvimento com as métricas ESG, partindo dos dez objetivos e desdobrando-se em metas claras e mensuráveis. O que não é medido, não pode ser aprimorado, e a Usaflex utiliza uma plataforma para acompanhar esses resultados em tempo real, com acesso liberado para todos os envolvidos, incluindo o fundo controlador.

No eixo social, a Usaflex tem ações que refletem seu DNA e propósito de levar conforto e bem-estar. O programa USA Saúde, por exemplo, é robusto e olha para a saúde física e socioemocional dos colaboradores, com um time multidisciplinar de profissionais de saúde oferecendo atendimentos individuais e em grupo. A empresa acredita que a preocupação com o bem-estar integral das pessoas é uma necessidade, não um diferencial. Outro ponto de destaque são os programas de diversidade e inclusão, que, na Usaflex, são pautados em desempenho e mérito. O programa Pé de Igualdade, de inclusão de pessoas com deficiência, iniciado em 2013, é um exemplo de sucesso. Nascido como um programa de inclusão, e não apenas para cumprimento de cotas, ele focou no desenvolvimento desses profissionais, muitos deles com deficiência mental e intelectual, que progrediram significativamente na organização, melhorando o clima organizacional e reduzindo o absenteísmo. A chave do sucesso é que eles contribuem diretamente para os indicadores de desempenho, não sendo uma sobreposição de pessoas.

A Usaflex, com sua maioria de mulheres (cerca de 65% a 67% da equipe), é uma empresa de alma feminina. Foi a primeira indústria de calçados femininos a ser signatária dos sete princípios de empoderamento feminino da ONU. O programa Empodera busca o aumento de mulheres em posições de liderança, uma meta ambiciosa que já rendeu frutos, passando de 27% em 2020 para 45% de liderança feminina no ano passado, com meta de 50% até 2030. Isso é alcançado através do desenvolvimento de skills de liderança e do trabalho de autoconhecimento, autoconfiança e combate à autossabotagem. O Empodera também tem iniciativas externas para que mulheres tenham protagonismo na sociedade e exerçam um papel de contribuição com outras mulheres. Daniela Colombo ressalta que o olhar feminino traz uma sensibilidade e intuição que complementam as características masculinas, enriquecendo as perspectivas e contribuindo para a inovação e adaptabilidade das empresas. Essa complementaridade de olhares, e não a oposição, é a chave para o sucesso.

No que tange às ações ambientais, a Usaflex tem um histórico de pioneirismo. Desde 2012, a empresa cessou o envio de resíduos para aterros, encaminhando-os para coprocessamento e hidrólise térmica. Em uma parceria inovadora com a Ilsa, o couro, principal resíduo da produção, é transformado em adubo. Outra parceria, com a Ambiente Verde, permite que resíduos de plástico, espuma, EVA e laminado sintético sejam transformados em um blend, o ambiplaste, que retorna para o calçado em forma de palmilhas e estruturantes, um exemplo claro de economia circular. A Usaflex também prioriza a eficiência energética, estando 100% no mercado livre de energia, com fontes limpas e renováveis. Um inventário de emissões de gases de efeito estufa abrangente (Escopo 1, 2 e 3) foi realizado para subsidiar um plano de descarbonização focado nas principais fontes de emissão, envolvendo fornecedores e transportadoras na conscientização e redução da pegada de carbono. A Usaflex busca ter 70% de seu portfólio de matérias-primas vinculado a alguma certificação de sustentabilidade até 2030, já estando em 52%, e é certificada no selo Origem Sustentável na categoria diamante.

A relação com a cadeia de fornecedores é um ponto crucial. A Usaflex incentiva seus parceiros a buscar certificações em sustentabilidade e tem um programa de substâncias restritas que garante que 100% dos fornecedores sigam padrões rigorosos. Esse alinhamento de valores e a clareza de que a sustentabilidade faz parte do negócio, e não apenas um diferencial, são fundamentais para relações de longo prazo. Programas como o Origem Sustentável servem como guias para empresas que estão iniciando sua jornada de sustentabilidade.

Por fim, a governança na Usaflex foi amplamente fortalecida com a entrada do fundo de investimento. A empresa segue diretrizes de governança de empresas de capital aberto, mesmo sendo de capital fechado, o que eleva seu patamar. Com orçamentos definidos, planejamento estratégico estruturado, metas claras, processos revisitados e auditorias por Big Four, a governança dá sustentação para que as ações ambientais e sociais possam progredir, garantindo a perenidade do negócio. Essa profissionalização e organização são essenciais para a sustentabilidade.

As tendências futuras apontam para uma crescente regulamentação, como as obrigações de publicarem relatórios financeiros com informações de sustentabilidade (IFRS S1 e S2) para empresas de capital aberto a partir de 2026. A saúde mental e emocional no ambiente de trabalho também será cada vez mais pauta, e a formatação de relatórios ESG será cada vez mais vinculada a metas e resultados. A sustentabilidade está se tornando uma ferramenta de gestão usual, parte do modus operandi das empresas, um caminho sem volta que levará a um novo nível de qualificação profissional.

Para aqueles que estão iniciando ou já percorrem o caminho da sustentabilidade, Daniela Colombo deixa uma mensagem inspiradora: a sustentabilidade é muito mais do que um compromisso ético ou responsabilidade social e ambiental. Ela é uma grande oportunidade para as empresas, uma ferramenta de gestão que trará excelentes resultados, atraindo investidores, consumidores conscientes e talentos que buscam empresas com valores alinhados. É, em sua essência, uma decisão inteligente.


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